Quais são os principais tipos de cirurgia de quadril?
Postado em: 03/04/2025

Atualizado em 9 de outubro de 2026. Texto de Dr. Gustavo Martins Fontes · MÉDICO · CRM-SP 116.821 · Ortopedia e Traumatologia, RQE 64639.
Em resumo
A cirurgia de quadril tem quatro tipos principais: artroplastia total, artroplastia parcial, artroscopia e osteotomia. Cada uma atende a um quadro diferente, e a escolha depende da lesão, da idade, do nível de atividade e do estado da cartilagem. Quem define a técnica é o ortopedista, depois de avaliar o paciente e os exames de imagem.
Neste artigo
Ouvir que a operação no quadril é a próxima etapa do tratamento costuma trazer uma dúvida imediata: qual operação? Os nomes parecem próximos, mas cada técnica trata um problema diferente, e entender essa diferença ajuda a conversar com o ortopedista com mais segurança.
Quais são os principais tipos de cirurgia de quadril?
A operação no quadril entra em discussão quando o tratamento sem cirurgia, como medicamentos, fisioterapia e infiltrações, não alivia a dor nem devolve a função. A técnica depende do tipo e da gravidade da lesão, da idade, da presença de deformidades e do nível de atividade física.
Artroplastia total de quadril
A artroplastia total de quadril substitui a cabeça do fêmur e a superfície do acetábulo por componentes artificiais, feitos de metal, cerâmica ou polietileno. É a técnica discutida nas doenças degenerativas que comprometeram toda a articulação, como a artrose de quadril em fase adiantada.
O planejamento reúne exames de imagem e a avaliação da anatomia. Na operação, o osso femoral danificado dá lugar a uma haste com cabeça protética, e o acetábulo recebe um componente que simula a cavidade articular, revestido por material de baixo atrito. Conforme a qualidade do osso, os componentes são fixados com cimento ortopédico ou por encaixe, sem cimento. A reabilitação começa logo depois da cirurgia e faz parte do tratamento.
Artroplastia parcial de quadril
Na artroplastia parcial, apenas a cabeça do fêmur é substituída e o acetábulo é preservado. Ela costuma ser discutida nas fraturas do colo do fêmur em pessoas idosas, com mobilidade limitada e menor exigência sobre a articulação, quando a cartilagem do acetábulo está preservada.
A escolha entre a artroplastia parcial e a total depende de uma avaliação criteriosa, que inclui o risco de desgaste futuro do acetábulo preservado e a existência de contraindicação clínica a uma operação mais extensa.
Artroscopia de quadril
A artroscopia trata lesões específicas dentro da articulação, por pequenas incisões, geralmente em pacientes jovens e ativos. Entre as condições tratadas estão o impacto femoroacetabular, as lesões do lábio e os corpos livres intra-articulares. Por usar incisões menores, tem menor impacto sobre os tecidos do que uma cirurgia aberta, e o ortopedista explica o que esperar da recuperação em cada caso.
A artroscopia tem limite. Segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos, o dano articular às vezes é grave demais para ser totalmente revertido, e o procedimento pode não alcançar o objetivo. Por isso a indicação depende do exame clínico, dos exames de imagem e de uma conversa franca sobre o que a técnica consegue e o que não consegue tratar.
A página sobre artroscopia de quadril da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS), em inglês, descreve o procedimento, as condições tratadas e os riscos.
Osteotomia de quadril
A osteotomia é uma cirurgia de preservação articular, voltada a pacientes jovens com alterações estruturais que sobrecarregam o quadril cedo, como a displasia acetabular. O objetivo é redistribuir o peso sobre a articulação e corrigir o eixo, o que pode retardar a degeneração.
Costuma ser considerada quando há dor e limitação funcional com a cartilagem ainda preservada, e em situações em que se quer adiar a necessidade de prótese. A reabilitação é mais longa, exige carga progressiva e fisioterapia intensiva para recuperar força, equilíbrio e função.
A idade define o tipo de cirurgia de quadril?
A idade pesa, mas não decide sozinha. O ortopedista considera também outras doenças, a profissão, o histórico de lesões, o nível de atividade física e o que o paciente espera da recuperação.
Pacientes jovens com alterações anatômicas
Quando a cartilagem ainda está viável, mas há alterações que favorecem o desgaste precoce, como displasia, impacto femoroacetabular ou lesões labrais, a discussão gira em torno de corrigir a alteração antes que ela evolua para artrose. A artroscopia e a osteotomia são as técnicas consideradas nesse grupo.
Pacientes acima dos 65 anos
Nessa faixa etária, a decisão entre prótese parcial e total passa pela integridade do acetábulo e pela condição funcional do paciente.
Pacientes ativos com artrose estabelecida
Em quem já tem artrose, mas mantém um nível razoável de atividade física, a artroplastia total é a técnica mais discutida. O tipo de prótese, com seu material e formato, deve ser conversado com o ortopedista, considerando indicações, expectativas realistas e possíveis contraindicações.
Toda dor no quadril leva à cirurgia?
Não. A decisão sobre quando operar não depende só da intensidade da dor. Pesam a velocidade de progressão da doença, a resposta ao tratamento sem cirurgia, o quanto a dor limita as tarefas do dia e os objetivos de cada pessoa.
Quem ainda responde à fisioterapia e a ajustes de rotina pode adiar a operação com segurança, desde que acompanhado por um médico. Quem tem indicação e quer manter um estilo de vida ativo pode considerar a cirurgia mais cedo. Saúde geral, apoio da família no pós-operatório e organização da rotina também entram na decisão, que deve ser compartilhada entre médico e paciente. Para entender como a cirurgia se encaixa no tratamento da artrose, leia sobre os benefícios da cirurgia do quadril para pacientes com artrose.
O pós-operatório faz diferença no resultado?
Faz, qualquer que seja a técnica. A recuperação passa por etapas: controle da dor nas primeiras semanas, fortalecimento muscular e retorno gradual às atividades. A fisioterapia reeduca o movimento e o equilíbrio e acompanha o paciente na prevenção de complicações como o deslocamento da prótese e a rigidez articular.
Orientações como evitar cruzar as pernas, manter o peso controlado e usar dispositivos de apoio, quando indicados, fazem parte do cuidado diário. As consultas de retorno permitem avaliar a cicatrização, repetir exames de imagem e ajustar a conduta, se necessário.
Quando procurar um ortopedista?
Procure avaliação quando a dor no quadril limita as atividades do dia a dia, continua em repouso ou não cede com medicamentos, fisioterapia ou apoio para andar. Dor súbita e intensa após uma queda, com dificuldade de apoiar o peso na perna, pede atendimento de urgência, pois pode indicar fratura. Só o exame clínico e a imagem definem a causa.
Perguntas frequentes
Qual cirurgia de quadril é indicada para artrose?
Na artrose em fase adiantada, a artroplastia total é a técnica mais discutida. A indicação final depende da avaliação do ortopedista, que considera idade, atividade física e estado geral de saúde.
A artroscopia substitui a prótese?
Não. A artroscopia trata lesões específicas e preserva a articulação, enquanto a prótese substitui superfícies desgastadas. São técnicas para quadros diferentes.
Toda cirurgia de quadril exige fisioterapia depois?
A fisioterapia faz parte da recuperação, e o plano muda conforme a técnica: a reabilitação da osteotomia, por exemplo, é mais longa e exige carga progressiva. A equipe define a intensidade e a duração em cada caso.
Avaliação ortopédica do quadril em Moema
Se você recebeu a indicação de uma dessas técnicas, ou convive com dor no quadril e tem dúvidas sobre o tratamento, uma consulta permite revisar os exames, entender o que cada opção significa no seu caso e esclarecer como será a recuperação. O Dr. Gustavo Martins Fontes, ortopedista (RQE 64639) com foco em cirurgia de quadril, atende em Moema, em São Paulo. Agende uma consulta e leve os exames de imagem que já tiver.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.
Dr. Gustavo Martins Fontes · MÉDICO · CRM-SP 116.821 · Ortopedia e Traumatologia, RQE 64639 · Área de atuação em Dor, RQE 646391
