Tratamento para tendinite: opções e quando cada uma é indicada

Postado em: 28/02/2025

Ilustração sobre as opções de tratamento para tendinite

Atualizado em 9 de outubro de 2026. Texto de Dr. Gustavo Martins Fontes · MÉDICO · CRM-SP 116.821 · Ortopedia e Traumatologia, RQE 64639.

Em resumo

O tratamento para tendinite costuma começar pelas medidas conservadoras: reduzir a sobrecarga do tendão, controlar a dor e a inflamação com medicação orientada e fazer fisioterapia. Infiltração, ondas de choque e outras terapias entram quando a dor persiste. A cirurgia fica para lesões estruturais ou para quem não melhora, e a escolha depende da avaliação de cada caso.

Quem chega ao consultório com dor no tendão costuma trazer a mesma pergunta: “vou precisar de infiltração? E de cirurgia?”. Respondo que isso depende de qual tendão está inflamado, há quanto tempo a dor existe e o que já foi tentado.

A tendinite é a inflamação do tendão, o tecido fibroso que prende o músculo ao osso, e pode aparecer no quadril, no ombro, no cotovelo, no punho, no joelho e no tornozelo. Para entender melhor o quadro antes de escolher o tratamento para tendinite, veja o guia sobre o que é tendinite.

Por onde começa o tratamento da tendinite?

O tratamento da tendinite começa pelas medidas conservadoras, porque elas reduzem a sobrecarga sobre o tendão sem exigir nenhum procedimento. Repouso relativo, medicação orientada pelo médico, fisioterapia e, em alguns casos, órteses formam essa primeira etapa. Eu começo pelo menos invasivo e só avanço quando o quadro pede.

Cada medida tem um papel diferente:

  • Repouso e ajuste de atividades: evitar o movimento repetitivo ou a carga que provoca a dor ajuda a impedir que o quadro se agrave; não significa parar de se mexer, e sim reduzir o gesto que irrita o tendão;
  • Medicação: antiinflamatórios e analgésicos, sempre com orientação médica, ajudam no controle da dor e da inflamação durante a crise;
  • Fisioterapia: exercícios específicos fortalecem a musculatura ao redor do tendão e ajudam a reduzir o risco de a dor voltar;
  • Órteses e talas: em alguns casos, imobilizar a região por um período alivia a tensão sobre o tendão.

Nos quadros mais leves, essas medidas podem ser suficientes para controlar os sintomas. Para entender o que costuma provocar a sobrecarga, veja as principais causas da tendinite.

O tratamento conservador sempre resolve a tendinite?

Não. O tratamento conservador da tendinite alivia os sintomas em muitos casos, mas não basta para todos: há quadros em que a dor volta com frequência e outros em que o tendão já tem lesão estrutural. Nessas situações, fisioterapia e medicação sozinhas podem não ser suficientes, e a avaliação ortopédica define o passo seguinte.

O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), do Ministério da Saúde, descreve a síndrome do impacto do ombro entre as inflamações dos tendões e informa que, em cerca de 70% dos casos, o tratamento clínico alivia os sintomas. Os demais apresentam dor recorrente e, muitas vezes, chegam à cirurgia.

Os números mudam de uma região do corpo para outra, por isso o dado serve de exemplo, e não de previsão para o seu caso.

A infiltração é indicada para toda tendinite?

Não. A infiltração para tendinite é considerada quando a dor persiste apesar do tratamento conservador, e a indicação depende do tendão envolvido e da avaliação clínica. As injeções de corticoide podem reduzir a inflamação e aliviar a dor, mas devem ser usadas de forma temporária e com cautela, para evitar efeitos adversos.

Além do corticoide, outras terapias podem ser consideradas conforme o caso:

  • Infiltração guiada por ultrassonografia: a imagem permite ver a região durante a aplicação, o que ajuda a direcionar o medicamento ao local da inflamação;
  • Ondas de choque: terapia não invasiva que usa ondas acústicas sobre a região dolorosa, empregada em tendinites que persistem por longos períodos, com resposta que varia conforme o tendão;
  • Plasma rico em plaquetas (PRP): preparado a partir do sangue do próprio paciente e aplicado na região, pode ser considerado em casos selecionados, e a indicação depende do tendão e do quadro;
  • Laserterapia e ultrassom terapêutico: recursos de reabilitação usados para ajudar no controle da inflamação e da dor, em geral combinados com a fisioterapia.

A tendinite pode precisar de cirurgia?

Sim, em casos selecionados. A cirurgia para tendinite pode ser indicada quando o tendão já apresenta lesão estrutural importante ou quando o tratamento clínico, bem conduzido, não controla a dor e a limitação. É uma decisão tomada em conjunto com o paciente, depois da avaliação e dos exames de imagem, e nunca o ponto de partida.

As técnicas variam conforme o tendão e o tipo de lesão: vão de procedimentos minimamente invasivos, como a liberação do tendão, ao reparo do tendão, por via aberta ou artroscópica.

Na tendinite da região glútea e do quadril, trato com fisioterapia, infiltração guiada por ultrassonografia e, quando necessário, reparo endoscópico. Para tendinites em outras articulações, a conduta cirúrgica é definida com o ortopedista que atende aquela região.

Como eu escolho o tratamento da tendinite?

A escolha do tratamento da tendinite parte de uma avaliação individual: escuto a queixa e a rotina do paciente, examino a região e, quando necessário, peço exames de imagem. Com isso, defino um plano que começa pelo menos invasivo e evolui apenas se o caso pedir, conversando antes as opções, os benefícios e os riscos de cada uma.

O tipo de tendinite, o estágio do quadro e a resposta às terapias já feitas orientam essa escolha. De forma geral:

  • Casos leves a moderados: costumam ser conduzidos com repouso relativo, fisioterapia e medicação;
  • Casos persistentes ou que voltam: infiltração, ondas de choque ou PRP podem ser consideradas, em associação à reabilitação;
  • Casos com lesão estrutural: a cirurgia pode ser indicada, depois de conversar com o paciente sobre as alternativas.

Em quadros que se confundem com outras dores articulares, a investigação vem antes do tratamento. Veja como diferenciar a tendinite de outras dores articulares.

Quando procurar um ortopedista para tratar a tendinite?

A tendinite merece avaliação ortopédica quando a dor no tendão persiste mesmo com repouso e redução da atividade, volta toda vez que o movimento é retomado ou passa a atrapalhar as tarefas do dia a dia. Inchaço, perda de força e limitação de movimento também são motivos para agendar uma consulta.

Dor súbita e intensa, com deformidade visível ou incapacidade de mover a articulação, não é caso de consulta agendada: procure um pronto-atendimento. Se a dor está no quadril, na lateral da coxa ou na nádega, a página sobre tendinite reúne mais informações sobre o quadro.

Perguntas frequentes sobre tratamento para tendinite

A tendinite passa sozinha?

Casos leves podem melhorar com repouso relativo e ajuste da atividade que causa a dor. Quando a dor persiste, volta com frequência ou limita o dia a dia, vale uma avaliação ortopédica para entender o que mantém o tendão inflamado.

Posso tratar a tendinite só com remédio?

A medicação ajuda no controle da dor e da inflamação, mas isoladamente não corrige a sobrecarga que levou à tendinite. Por isso ela costuma vir associada à fisioterapia e ao ajuste das atividades, e deve ser usada com orientação médica, nunca por conta própria.

Quanto tempo dura o tratamento da tendinite?

O tempo de resposta varia conforme o tendão, há quanto tempo a dor existe e a adesão à reabilitação. Por isso não é possível cravar um prazo sem examinar o paciente: o ritmo é definido na consulta e reavaliado ao longo do acompanhamento.

Quer saber qual tratamento para tendinite faz sentido para o seu caso?

Na consulta, escuto sua história, examino a região e converso com você sobre cada alternativa, com seus benefícios e riscos, para que a escolha leve em conta a sua rotina, o seu esporte e a sua dor. Agende uma avaliação ortopédica em Moema e vamos definir juntos o caminho mais adequado para você.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

Dr. Gustavo Martins Fontes · MÉDICO · CRM-SP 116.821 · Ortopedia e Traumatologia, RQE 64639 · Área de atuação em Dor, RQE 646391