Reabilitação após cirurgia de pubalgia: como é o processo
Postado em: 08/09/2025

Atualizado em 9 de outubro de 2026. Texto de Dr. Gustavo Martins Fontes · MÉDICO · CRM-SP 116.821 · Ortopedia e Traumatologia, RQE 64639.
Em resumo
A reabilitação após cirurgia de pubalgia é feita em etapas, que vão do controle da dor e da inflamação ao fortalecimento do core e ao retorno gradual ao esporte. O ritmo de cada fase depende do tipo de cirurgia, da lesão tratada e da resposta de cada paciente. A liberação para treinar é dada pelo médico.
Neste artigo
A pubalgia é uma dor na região da virilha e do púbis que compromete o desempenho de atletas e de pessoas fisicamente ativas. Quando o tratamento conservador, com fisioterapia, medicação e ajuste da carga de treino, não controla os sintomas, a cirurgia pode ser considerada.
A reabilitação após cirurgia de pubalgia tem papel central para controlar a dor, recuperar a mobilidade e permitir o retorno gradual às atividades. Explico a seguir as etapas desse processo e os cuidados envolvidos.
O que é pubalgia e por que ela compromete o desempenho?
A pubalgia é uma dor crônica na região do púbis, da virilha ou da parte interna da coxa, causada pela sobrecarga das estruturas musculares e tendíneas que ligam a pelve aos membros inferiores, em especial os adutores e o reto abdominal. Está associada a sobrecarga repetitiva, desequilíbrio muscular, alterações biomecânicas e a lesões como o impacto femoroacetabular (IFA) e a hérnia do esporte.
É comum em esportes com movimentos repetitivos, explosivos e mudanças rápidas de direção, como futebol, corrida, lutas, tênis e crossfit. Além da dor, muitos pacientes relatam sensação de queimação, rigidez e limitação funcional, que atrapalham o esporte e as tarefas do dia a dia.
A pubalgia sempre precisa de cirurgia?
Não. Nem todos os casos de pubalgia exigem cirurgia, e o tratamento conservador, com fisioterapia, medicação, controle de carga e fortalecimento muscular, costuma ser o ponto de partida. A cirurgia entra em discussão quando os sintomas persistem apesar desse tratamento bem conduzido ou quando os exames mostram uma alteração estrutural que explique a dor.
Segundo uma revisão sistemática de 2022 publicada no Journal of Orthopaedic Surgery and Research, o tratamento conservador deve ser considerado antes do cirúrgico em atletas com pubalgia, e os métodos diferentes entre os estudos dificultam generalizar os resultados.
Alguns sinais levam a considerar a cirurgia:
- dor contínua que interfere na rotina ou impede o retorno ao esporte;
- recaída dos sintomas quando os treinos são retomados;
- alterações nos exames, como IFA e rupturas musculares ou tendíneas;
- limitação importante para praticar o esporte.
A decisão é individualizada e vem depois de avaliação clínica detalhada, exames de imagem e, se necessário, bloqueios diagnósticos para confirmar a origem da dor.
Tipos de cirurgia para pubalgia
O tipo de cirurgia varia conforme a estrutura afetada. Entre as abordagens descritas estão:
- Artroscopia do quadril: procedimento minimamente invasivo, feito por pequenas incisões com auxílio de câmera, que pode tratar o IFA e lesões do labrum;
- Reparo da parede abdominal ou dos adutores: considerado em casos de ruptura ou sobrecarga entre o abdômen e a musculatura adutora, região também conhecida como hérnia do esporte;
- Abordagem combinada: usada quando é preciso intervir ao mesmo tempo no quadril e na parede abdominal.
Para conhecer outras técnicas, veja os principais tipos de cirurgia de quadril.
A reabilitação após a cirurgia de pubalgia é feita em fases?
Sim. A reabilitação pós-operatória é estruturada em fases, que respeitam o tempo de cicatrização e a resposta de cada paciente. A duração de cada fase é definida pelo cirurgião e pela equipe de fisioterapia, conforme o tipo de cirurgia e a evolução.
Fase 1: pós-operatório imediato
O objetivo é controlar a dor e a inflamação. Os cuidados iniciais incluem repouso relativo, gelo local, analgésicos conforme a prescrição médica e orientações posturais.
Fase 2: recuperação inicial
Busca restaurar a mobilidade e ativar a musculatura de forma leve, com fisioterapia, alongamentos suaves e exercícios isométricos dos adutores e do reto abdominal.
Fase 3: fortalecimento e retorno funcional
Foca em recuperar força, estabilidade pélvica e coordenação, com exercícios para o core, treino de propriocepção e reeducação do movimento.
Fase 4: retorno ao esporte
Retoma gradualmente as atividades esportivas, com treino funcional progressivo e simulações do esporte praticado. A liberação final depende da avaliação funcional e do médico.
O que influencia a recuperação
O tempo de recuperação varia conforme o tipo de cirurgia, a gravidade da lesão e a adesão à fisioterapia pós-operatória. Por isso, o plano é individualizado, de acordo com o esporte e a rotina de cada pessoa.
Quando procurar um ortopedista?
Procure um ortopedista quando a dor na virilha ou no púbis persistir mesmo com repouso e ajuste da carga de treino, piorar com o esforço, voltar toda vez que o esporte é retomado ou dificultar tarefas simples do dia a dia. A avaliação mostra se o seu caso pede reabilitação, outro tratamento conservador ou discussão sobre cirurgia.
Dor súbita e intensa, com incapacidade de apoiar a perna ou de andar, não é caso de consulta agendada: procure um pronto-atendimento.
Como é o meu atendimento?
Atendo casos de quadril e de lesões musculoesqueléticas complexas, como a pubalgia, há mais de 10 anos. Na consulta, faço o exame físico, peço exames de imagem e testes funcionais quando necessário e converso sobre as opções, com os benefícios e os riscos de cada uma.
Depois, monto um plano individualizado, em conjunto com fisioterapeutas, de acordo com o seu esporte e a sua rotina. O atendimento é em Moema.
Perguntas frequentes sobre a reabilitação após cirurgia de pubalgia
Como saber se realmente preciso operar?
Quando a dor persiste apesar de um tratamento conservador bem conduzido, pode haver indicação cirúrgica. A decisão se baseia em avaliação clínica, exames de imagem e testes funcionais, e é tomada em conjunto com o paciente.
A fisioterapia faz parte do pós-operatório?
Sim. A fisioterapia especializada é parte central da recuperação, porque ajuda a retomar força muscular e mobilidade de forma progressiva.
Quando posso voltar a praticar esportes?
Depois de cumprir as etapas da reabilitação e de receber a liberação médica. O tempo varia conforme o tipo de cirurgia, a lesão e a adesão à fisioterapia, e não dá para prever um prazo sem avaliar o seu caso.
Sente dor na virilha e quer saber se o seu caso pede reabilitação ou cirurgia?
Na consulta, examino a região, avalio os exames e explico cada opção, com benefícios e riscos, para que a decisão seja tomada em conjunto e leve em conta o seu esporte e a sua rotina. Agende uma avaliação ortopédica em Moema e vamos definir o próximo passo juntos.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.
Dr. Gustavo Martins Fontes · MÉDICO · CRM-SP 116.821 · Ortopedia e Traumatologia, RQE 64639 · Área de atuação em Dor, RQE 646391
