Tendinite em atletas: Como o esporte pode influenciar?

Postado em: 09/01/2025

Tendinite em atletas Como o esporte pode influenciar
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Se você pratica um esporte ou atividade física regularmente, o quadril, uma das articulações mais exigidas do corpo, merece atenção especial. Modalidades como corrida, futebol e tênis, com seus movimentos repetitivos e intensos, podem sobrecarregar essa região, aumentando o risco de Tendinite

A tendinite é uma inflamação nos tendões que pode tornar movimentos simples em algo desconfortável e doloroso.

Dores persistentes no quadril não devem ser ignoradas. Com uma avaliação médica especializada, é possível identificar a origem, tratar os sintomas e evitar complicações Relacionadas a essa condição. 

Continue lendo para saber como proteger sua saúde e manter o desempenho físico!

Quais são as causas da tendinite no quadril?

A tendinite no quadril pode ser desencadeada por atividades esportivas ou hábitos profissionais, como passar muito tempo sentado. 

Essa inflamação nos tendões dos músculos dos glúteos provoca dor na lateral do quadril, muitas vezes irradiada para a coxa.

As principais causas incluem exercícios excessivos, movimentos repetitivos e falta de alongamentos regulares

Esses fatores sobrecarregam os tendões, comprometendo suas fibras e favorecendo o surgimento de inflamações.

Desequilíbrios musculares que provocam compensação e estresse nos tendões aumentam o risco de tendinite. 

Diagnosticar e tratar precocemente essa condição é essencial para aliviar os sintomas e evitar complicações futuras.

Como o esporte influencia o desenvolvimento da tendinite em atletas?

A prática esportiva, apesar de trazer inúmeros benefícios para a saúde, também pode ser um fator desencadeante de lesões musculoesqueléticas quando não é realizada com os devidos cuidados. 

Entre essas lesões, a “Tendinite” é uma das mais comuns, principalmente em atletas que praticam esportes de alta intensidade, impacto repetitivo ou movimentos explosivos.

A tendinite no quadril, em particular, é frequentemente observada em esportistas que realizam corridas de longa distância, futebol, tênis, ginástica e atividades com saltos ou mudanças rápidas de direção. 

Nessas modalidades, os tendões que envolvem o quadril — como os do glúteo médio, iliopsoas e trato iliotibial — são altamente solicitados, gerando microtraumas que, se não forem tratados, evoluem para inflamações.

A repetição constante dos mesmos movimentos, sem tempo adequado para recuperação, compromete a integridade dos tendões. 

Com o acúmulo de microlesões e o estresse contínuo, o tecido tendíneo perde sua capacidade de regeneração, levando ao quadro inflamatório característico da tendinite.

Além disso, o uso de equipamentos inadequados, como calçados sem amortecimento ou que não oferecem o suporte necessário, afeta diretamente a mecânica dos movimentos e aumenta a carga nas articulações e nos tendões, favorecendo lesões. 

Superfícies de treino muito rígidas ou irregulares também são fatores que aumentam o risco.

Outro fator importante é a falta de equilíbrio entre fortalecimento e alongamento muscular. Muitos atletas concentram seus treinos apenas no ganho de força ou desempenho específico, negligenciando o alongamento e a flexibilidade. 

Isso causa encurtamento muscular e sobrecarga nos tendões, principalmente em esportes que exigem explosão muscular, como levantamento de peso e esportes de contato.

Quais são os principais sintomas da tendinite?

A tendinite no quadril em atletas pode se apresentar de forma insidiosa, com sintomas que se agravam ao longo do tempo. 

É importante reconhecer sinais para evitar a progressão da lesão.

A condição pode apresentar sintomas como, por exemplo:

  • Dor no quadril, que pode iniciar como um incômodo leve durante a prática esportiva e evoluir para dor contínua mesmo em repouso;
  • Sensibilidade aumentada no ponto exato do tendão inflamado, geralmente na lateral do quadril, virilha ou nádega;
  • Dor irradiada, que se estende da região do quadril até a coxa ou joelho, confundindo-se com outros tipos de lesão, como lombalgia ou ciática;
  • Redução da força e resistência durante os treinos, com dificuldade em realizar movimentos que antes eram executados com facilidade;
  • Cãibras musculares, especialmente após períodos de inatividade ou durante o sono;
  • Dificuldade para caminhar, agachar ou deitar-se sobre o lado inflamado, comprometendo a performance e até atividades rotineiras.

Quais são os fatores de risco para tendinite em atletas?

Vários fatores contribuem para o aumento do risco de tendinite entre atletas, e conhecê-los é fundamental para traçar estratégias de prevenção eficazes:

  • Idade: embora a tendinite possa surgir em qualquer fase da vida, ela é mais comum após os 35 ou 40 anos, quando os tendões perdem parte de sua elasticidade natural e tornam-se mais vulneráveis a lesões por sobrecarga.
  • Esportes de alto impacto: modalidades que exigem saltos, corridas explosivas, mudanças rápidas de direção ou uso contínuo do quadril (como ginástica artística, tênis, futebol, atletismo, crossfit e levantamento de peso) impõem uma carga repetitiva sobre os tendões.
  • Aumento repentino na intensidade dos treinos: mudar drasticamente o volume, a intensidade ou a frequência dos treinos, sem dar ao corpo tempo para adaptação, pode levar ao acúmulo de microtraumas e inflamações, mesmo em atletas bem condicionados.
  • Técnica inadequada de movimento: realizar exercícios com postura incorreta ou sem o devido alinhamento biomecânico também contribui para o surgimento de sobrecarga nos tendões.

Para prevenir a tendinite, é essencial que atletas e treinadores estejam atentos à periodização dos treinos, ao uso de equipamentos adequados, à correção da técnica e à inclusão de rotinas regulares de fortalecimento, mobilidade e recuperação ativa.

Quando os sintomas surgem, a interrupção temporária das atividades e a busca por avaliação médica são medidas fundamentais para evitar o agravamento da lesão e permitir um retorno seguro ao esporte.

Como é feito o diagnóstico da tendinite?

O diagnóstico da tendinite no quadril é realizado por um ortopedista especializado, através de uma análise clínica e um exame físico detalhado. 

Durante a consulta, avalio os sintomas relatados pelo paciente e examino a região afetada em busca de sinais de inflamação, dor ou limitações de movimentos.

Exames de imagem, como radiografia ou ressonância magnética, são solicitados para confirmar o diagnóstico e determinar a extensão do problema. 

Esses exames ajudam ainda a planejar o tratamento mais eficaz.

Dores no quadril não devem ser ignoradas. O diagnóstico e o tratamento correto são cruciais para recuperar a mobilidade e prevenir o agravamento da condição, permitindo a continuidade e a manutenção da prática esportiva como você gosta!

Como é o tratamento da tendinite em atletas?

O tratamento da tendinite tem como principal objetivo aliviar a dor, controlar a inflamação e promover a recuperação gradual dos tendões comprometidos, permitindo ao paciente retomar suas atividades com segurança. 

Em geral, a abordagem é conservadora, baseada em métodos não cirúrgicos e adaptados à intensidade dos sintomas.

Repouso e modificação de atividades

Reduzir ou suspender temporariamente as atividades que causam dor é essencial para evitar o agravamento do quadro. 

Isso pode incluir mudanças na rotina de treinos, adaptações no trabalho ou até o uso de bengalas ou muletas em casos mais intensos.

É melhor respeitar o tempo que seu corpo pede para se recuperar, do que correr o risco de danos ou desgastes mais extensos.

A consulta com um médico é muito importante mesmo que você já suspenda suas atividades por conta própria. 

É preciso confirmar a condição que afetou seu corpo e conferir quais cuidados são necessários para sua recuperação!

Infiltração com medicamentos 

Indicada em casos persistentes, a infiltração com medicamentos, como corticoides, pode proporcionar alívio rápido da dor e melhorar a função local. 

No entanto, esse procedimento deve ser realizado com cautela e somente sob prescrição de um ortopedista qualificado, pois o uso repetido de corticoide pode enfraquecer o tendão.

Medicamentos orais

Certos medicamentos são comumente prescritos por curto prazo, devendo sempre ser utilizados somente com orientação médica.

Fisioterapia

A reabilitação fisioterapêutica é indispensável. 

Os exercícios visam:

  • Aliviar a pressão sobre os tendões;
  • Corrigir desequilíbrios musculares;
  • Fortalecer músculos estabilizadores do quadril;
  • Melhorar a mobilidade articular.

Técnicas como terapia manual, liberação miofascial e treino funcional supervisionado podem ser incluídas no protocolo.

Quando a cirurgia é necessária para tratar a tendinite?

A cirurgia é rara e indicada apenas quando o tratamento conservador não apresenta resultados satisfatórios após meses de abordagem adequada. 

As indicações mais frequentes de cirurgia para tendinite incluem:

  • Ruptura parcial ou completa do tendão do glúteo médio, que compromete significativamente a função do quadril;
  • Lesões esportivas complexas envolvendo tendões dos isquiotibiais ou do iliopsoas;
  • Casos com degeneração crônica dos tendões, que geram dor contínua e limitação funcional importante.

A recuperação pós-cirúrgica exige acompanhamento com fisioterapia e retorno gradual às atividades físicas, com foco na reeducação do movimento e fortalecimento muscular.

Quais as recomendações e cuidados específicos para atletas com tendinite (ou em risco de desenvolvê-la)?

A prevenção e o manejo correto da tendinite são fundamentais para manter o desempenho e evitar afastamentos prolongados.

Estratégias de prevenção da tendinite em atletas

A maioria dos casos de tendinite em atletas pode ser evitada com preparação adequada, técnica correta e atenção ao volume de treino. 

A seguir, confira medidas eficazes de prevenção:

  • Aquecimento eficiente: iniciar cada sessão com um aquecimento bem estruturado melhora o fluxo sanguíneo e prepara os tendões para o esforço. Deve incluir exercícios leves e específicos para a modalidade praticada.
  • Alongamento e mobilidade: alongar os grupos musculares utilizados no esporte ajuda a reduzir a tensão sobre os tendões. Também é importante investir em mobilidade articular para melhorar a amplitude dos movimentos.
  • Fortalecimento muscular equilibrado: um dos erros mais comuns é treinar apenas grandes grupos musculares e negligenciar os estabilizadores. Fortalecer glúteos, core, escápulas e músculos profundos reduz o risco de sobrecarga nos tendões.
  • Técnica correta: movimentos mal executados, especialmente em esportes como levantamento de peso ou tênis, aumentam o risco de tendinite. O acompanhamento com técnico ou fisioterapeuta é essencial para corrigir falhas biomecânicas.
  • Progressão gradual da carga: aumentar subitamente o volume, a intensidade ou a frequência dos treinos favorece o surgimento de microlesões. O ideal é respeitar períodos de adaptação e recuperação.
  • Pausas e recuperação ativa: intercalar treinos intensos com dias de descanso, sono de qualidade e práticas como liberação miofascial ou hidroterapia ajudam os tendões a se regenerarem e evitam inflamações.
  • Equipamentos adequados: tênis com bom amortecimento, palmilhas personalizadas ou acessórios de proteção (como faixas ou suportes) também ajudam a reduzir o impacto sobre os tendões.
  • Orientações de quem entende do assunto: se você pratica alguma atividade física ou esporte, é preciso conversar com um ortopedista ou preparador físico competente que entenda do assunto. Busque orientação para o seu exercício específico, levando em conta também as particularidades do seu corpo!

Cuidados para atletas que já convivem com a tendinite

Quando a tendinite já está presente, é importante evitar que o quadro se agrave. 

A continuidade da prática esportiva só deve ocorrer com adaptação e monitoramento profissional

Algumas recomendações incluem:

  • Reduzir a intensidade dos treinos: a fase inflamatória requer diminuição do esforço sobre o tendão afetado, ou mesmo repouso total. Converse com seu ortopedista!
  • Fisioterapia específica: o acompanhamento fisioterapêutico deve incluir técnicas de controle da inflamação, exercícios excêntricos para tendão e reequilíbrio muscular. Sessões de liberação miofascial e eletroterapia também são úteis.
  • Uso pontual de bandagens funcionais: as faixas elásticas (kinesio taping) podem oferecer suporte temporário e ajudar na percepção do movimento correto.
  • Atenção a sinais de alerta: se a dor aumentar, mesmo com as adaptações, ou surgir limitação funcional, o treino deve ser suspenso imediatamente e um especialista consultado.

Com disciplina e orientação profissional, é possível controlar a tendinite em atletas. A prevenção contínua deve fazer parte da rotina de todo esportista (profissional ou amador, experiente ou iniciante) — não apenas após o surgimento da dor.

Quer proteger seu desempenho esportivo ou conversar sobre sintomas? Agende sua consulta e vamos juntos cuidar da sua mobilidade e segurança!

Dr. Gustavo Martins Fontes
Ortopedia e Traumatologia – Cirurgia do Quadril
CRM-SP: 116.821 I RQE: 11551

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Prevenindo a Tendinite: Dicas práticas para o dia a dia

As principais causas da Tendinite: um olhar detalhado


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